segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ME: sucesso por encomenda.

Sala de aula 1º ciclo, de uma escola modelo, deste ministério
Anda por ai um documento de propaganda, que dá por nome relatório-"Política Educativa no 1º CEB (2005/08)" elaborado por um talzinho de Peter Mathews (parece que faz também uns biscates à OCDE) encomendado e pago pelo Ministério da Educação. Quando ouvi, assim a frio, aqui del rei mundos e fundos, estranhei, porque ainda não ouve tempo para se avaliar o que resultou no 1º ciclo.
Nos princípios, todos concordamos. Divergimos é na forma, no populismo, no faz de conta à custa de emprego precário e condições materiais miseráveis, que saltam à vista por todo o lado. Postarei aqui umas fotos qualquer dia, deste maravilhoso mundo educativo:
-escolas boas fechadas e centros educativos de província em contentores
- Não há refeições, são os pais que interrompem trabalho para o fazer
-Inglês e ginástica longe da escola, em que os pais têm de fazer transporte
- As camaras estão falidas, pois ficaram com os equipamentos, funcionários, transportes, factura dos magalhães, mas estas competências novas, não trouxeram mais orçamento e são os pais que estão a aguentar isto, enquanto o governo se vangloria_ esta é a realidade.
Na formação estamos de acordo, alguns professores formados em sítios pouco recomendáveis, deixados abrir, por Cavaco e Guterres, baixaram a qualidade no 1º ciclo especialmente, associado a um sistema de colocações, onde uma turma de 1º ciclo num ano pode ter três professores. Portanto a solução é mais formação a quem já entrou, fechar cursos sem qualidade, e não exame à entrada da carreira. É o estado quem tem de zelar pela qualidade desses cursos.

Não consegui ler o tal relatório de propaganda pelo que encaminho para Ramiro Marques e MUP

1 comentário:

Jorge Fontes disse...

Cuidado com as precipitações! A OCDE não reconheceu absolutamente NADA sobre a política educativa do Governo. O Ministério solicitou um estudo (sobre o 1º ciclo) que seguiu a metodologia utilizada pela OCDE. Naturalmente, como sempre acontece com estes estudos encomendados pelo "dono" (entenda-se quem paga), os dados foram essencialmente facultados aos investigadores pelo próprio Ministério. Veja-se que o estudo salienta os bons resultados já conseguidos a Matemática... Todos sabemos como foi o grau de exigência das últimas provas desta disciplina... Aliás basta ver também que no que toca às Actividades Extra Curriculares do 1º Ciclo o balanço tem sido desastroso, com as crianças a "deitarem escola pelos olhos", a conhecerem 3 e 4 professores por ano para a mesma área... um terror fruto, a meu ver, de uma reforma bem intencionada mas executada de forma precipitada.
Fica a transcrição do site do Ministério para se ver que, contrariamente ao que muitos órgãos de comunicação social afirmam, não se trata de nenhum estudo da OCDE. Aliás, um dos autores do estudo é nada mais nada menos que Alexandre Ventura, recém nomeado Presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Como se vê, de estudo independente terá pouco. Aliás, como ainda dizia há dias, no "Prós e Contras" o Presidente da Câmara de Caldas da Rainha, Fernando Costa, já viram alguém pagar um parecer ou um estudo e ele dizer o contrário do que pretende quem o encomenda? Enfim, custa-me que uma reforma que embora tendo vários aspectos positivos tente ser legitimada e valorizada à custa de mais uma grande manobra de propaganda paga pelo contribuinte.
"Solicitado pelo Ministério da Educação (ME), este estudo corresponde a uma avaliação intermédia, realizada durante a fase de implementação das reformas, com o objectivo de verificar se as medidas desenvolvidas estão a atingir os resultados previstos e se as estratégias adoptadas devem ser ajustadas em função da experiência.
Liderada pelo professor Peter Matthews, esta avaliação seguiu a metodologia e a abordagem que a OCDE tem utilizado para avaliar as políticas educativas em muitos países-membros, ao longo dos anos, com resultados positivos." (Fonte: site do Ministério da Educação)